quarta-feira, 13 de maio de 2009

Inspiração

Na calada da noite
Quando todos já estão dormindo,
Eu fico sozinha, pensando.
Na mente, velhas fitas amareladas
De um tempo há muito passado,
São reprisadas velozmente.
O vento, como que cansado,
Para de trabalhar.
No céu as estrelas se dispersam
Rumo à algum lugar.
Livres.
Livres como o mais livre dos pássaros,
Que acomodado numa frondosa árvore,
Gorgea sem parar.
Na cidade, sob as luzes frias
Dos postes insensíveis,
Esperanças e tristezas se confundem.
Em algum bar, onde há bebida, música e piada,
Há uma mulher que isolada,
Sozinha com as suas sombras,
Olha para o copo disforme.
Rolando pela face jovem
Uma lágrima, também solitária,
Desce sem rumo.
A mulher apaixonada mergulha na noite.
Abandona a vida
E abraça amorte.

Márcia Andrade

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